quinta-feira, 19 de janeiro de 2012


PM – Mobilização escamoteia desvios históricos

O que chama atenção na mobilização dos PMs, na qual desponta a reivindicação de melhoria salarial, é o silêncio em torno dos desvios históricos, que conspiram contra a corporação, tanto quanto seu sucateamento, levado ao paroxismo nos 12 anos de sucessivos governos do PSDB no Pará, entre 1995 e 2006. Um silêncio que se torna tanto mais gritante, porque a PM, quando acena com a ameaça de greve, se coloca como um ente à parte do conjunto dos servidores públicos, cujas perdas salariais foram levadas ao paroxismo no período que compreendeu os dois mandatos do ex-governador Almir Gabriel e o primeiro mandato do atual governador, Simão Jatene, oSimão Preguiça, cuja preocupação social sempre ficou restrita aos familiares mais próximos e às famílias da primeira-dama e da ex-mulher.
Para além de melhorias salariais e condições de trabalho mais adequadas, a PM necessita, principalmente, aplacar as diferenças abissais que torna os integrantes do seu baixo escalão autênticos párias quando cotejados com os oficiais mais graduados, beneficiários de uma cascata de privilégios. Tanto quanto necessita corrigir a mais gritante das suas distorções, que é o desvio de função, que privilegia os apaniguados de conchavos político-partidários, beneficiando particularmente seus altos escalões, em detrimento da função primordial da corporação, que é a segurança pública. Os gabinetes militares das diversas instâncias de poder são, como bem sabemos, valhacoutos de sanguessugas do erário, muitos até embolsando, no supremo escárnio, adicional de risco de vida, como se estivessem nas ruas, expondo-se a riscos, em defesa da segurança do contribuinte, que banca a farra de mordomias.
As reivindicações salariais e a exigência de melhores condições de trabalho não podem, nessa altura, ser dissociadas de uma faxina ética, que fatalmente começa pelo combate ao câncer que representa o desvio de função, uma distorção histórica na PM, e o combate ao corporativismo que pavimenta o caminho da impunidade, que protege a truculência e a corrupção. Do contrário, permanecerá a pergunta tão atual: a polícia nos protege dos bandidos, mas quem nos protege da polícia?

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Um comentário:

  1. Na verdade também no governo de Ana Júlia como sempre afirma o Dr. Moraes.

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